Categoría: poemas
10 Abril 2006
Temporal
Rosa Clement, © 2001
O céu ecoa rouco na noite,
derramando chuva no telhado.
Relâmpagos morrem na janela.
Eu quero rezar
mas olho tua fotografia.
O ar, invisível parede de gelo,
congela os lençois, as minhas mãos,
aumenta o silêncio da casa,
aflige minha alma,
e eu anseio por tua presença.
Lá fora, os ventos loucos
varrem areias, quebram galhos,
silenciam vozes,
mas aqui, transformam a casa
numa úmida catedral.
Eu olho o teu sorriso,
esqueço o temporal
sentindo-me iluminada
como em uma oração.
(Rosa Clement, © 2001)
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10 Abril 2006
Por Viver
Rosa Clement, © 2002
A vida sempre teve disso:
essa lua na minha janela
e esse sol que faz a manutenção
do amorenado com o qual nasci.
Tem esse rio antigo que me provoca com a mesma ternura,
(me chama, me esfria, me molha, me esquenta)
e esse vento ora louco, ora leve como outrora,
que se ausenta
para eu implorar por sua volta.
Sempre houve esses minutos que eu gasto
apreciando a engenharia
das coisas simples e complexas,
das facilidades da tecnologia.
As construções das obras musicais
enchem em massa os meus ouvidos
e eu, por gostar da escrita,
prendo os cabelos com um lápis.
Amo essa afinidade com as águas,
mas minha mãe dizia que é preciso ser rocha
para surportar a maré de mudanças do mundo.
Sempre foi assim e nada me cansa.
A vida é rotina e é mistério
e é na passagem dos anos,
em meu vestido branco
que desejo mais do sal que tempera
essa velha cantiga de viver.
(Rosa Clement, © 2002)
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10 Abril 2006
Teus Olhos
Rosa Clement, © 2001
Desses teus olhos guardo horizontes,
curvas de rios, retas das cidades.
Guardo também das festas, suas glórias,
e eco de canto escrito pelas horas.
Preservo tudo em um sonho, distante
desses teus olhos.
É o que resta desse festival,
mas das primaveris alegorias
sobram confetes de melancolia.
Monto e desmonto em leito do silêncio,
velhas paisagens para achar aquela
desses teus olhos.
(Rosa Clement, © 2001)
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10 Abril 2006
Última Lembrança
Rosa Clement, © 2001
Nada ficou de ti, nem mesmo um beijo,
nem da mais terna tarde, os carinhos,
as nossas sombras já não se repetem:
não são lembradas por velhos caminhos.
Aceno e rio, mexo com as folhas,
penso em viagens, canto, fantasio;
atrás de mim meu rastro torto segue,
sem nem notar o teu rastro vazio.
A brisa canta, assanha meus cabelos,
e o sol doura as bordas dos abrigos,
sigo os mesmos passáros pelo ouvido,
sem nem lembrar que foi assim contigo.
Mas, se nesses caminhos eu te visse,
eu lembraria todo o amor perdido.
Quantas palavras presas te diria,
tendo meus olhos tão entristecidos.
(Rosa Clement, © 2001)
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10 Abril 2006
Palavras
Palavras com segredos de fogueira
soam em meus ouvidos, eloquentes
e assim ditas por tí se tornam quentes
e vão me aquecendo por inteira.
Tão doces seguem numa brincadeira
e rio com o riso dos mais crentes,
sem precisar da força dos videntes,
para sentir seu tom de verdadeiras.
Sob os caprichos de tua voz mansa,
tudo em mim se combina em uma dança
ao som de uma valsa de bordel.
Mas porque creio tanto no que dizes,
tuas palavras são também matizes
a colorir do amor o carrossel.
(Rosa Clement, © 2002)
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10 Abril 2006
Saudade
Saudade, some, seca tua fonte!
Por que insistir em ser um triste rio,
de onde meu coração num desafio
tenta voar em busca do horizonte?
Vai de mim, sem que eu te confronte
e essas raízes que esse amor pariu,
joga no peito desse homem frio,
que te ligou a mim como uma ponte.
Vai, e eu jamais por tí farei alarde,
mas sim vou rir do resto de esperanças,
que morrerá sem tua densidade.
Porém vai como praga de saudade:
Se amar, que ele viva de lembranças,
que o afogues também -- sem piedade.
(Rosa Clement, © 2001)
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10 Abril 2006
Sem Você . . .
Sem Você ... meu sorriso de menina
Que a todos fascina
E que ao meu rosto havia retornado
Não consegue mais expressar
Minha tão sonhada felicidade.
Sem Você ... o canto do Sabiá ao amanhecer
Já não soa como uma linda melodia
Que embalava nossos sonhos enamorados
Lembrando que mais um novo despertar
Já nos aguardava, para novamente nos amar.
Sem Você ... a mais linda tarde de Sol
Que colore e dá brilho a natureza
Já não consegue mais fazer brilhar
Os meus pequenos olhos
Que só faziam te amar.
Sem Você ... não consigo olhar as estrelas.
Sinto que neste imenso universo
Algo mais importante está faltando
É o "Meu Pedacinho de Céu"
Que um dia você disse ser para mim.
Sem Você ... os beijos loucos e ardentes
Não terão mais sabor
Pois ao tocar a sua boca
Meu corpo todo se estremecia
E todo o meu ser se sentia
deliciosamente beijado por você.
Sem Você ... as noites se tornam longas e vazias
Sinto um aperto no peito
E o medo invade o meu ser
Aí então, eu volto a ser criança
Procurando o seu colo, para adormecer.
HOJE . . . Sem Você . . .
Nada mais faz sentido
Não sou mais EU, porque EU era VOCÊ
e pensei que VOCÊ também fosse EU.
Mas por este louco amor vou lutar e
acreditar, que voltas para mim.
Aí ... seremos UM SÓ e não mais
EU e VOCÊ.
Autora: Criszinh@
Rio de Janeiro/RJ
Novembro/1999
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