Erotização da infância: a história de uma nova forma de ser criança.
Fernanda Passarelli Hamann*
Há quase um século, Sigmund Freud ousou relacionar dois temas que pareciam muito distantes entre si: sexualidade e infância. Em 1905, ele publicou Os três ensaios sobre a sexualidade, num dos quais abordava especificamente a sexualidade infantil - conceito fundamental para a Psicanálise, até os dias atuais.
Para Freud, a sexualidade da criança possui duas características principais: é perversa e polimorfa. Isto significa dizer que ela é auto-erótica e satisfeita através da estimulação de zonas erógenas no próprio corpo da criança. As fases do desenvolvimento infantil, segundo a teoria freudiana, estão ligadas ao deslocamento da libido (energia sexual) a cada uma dessas zonas.
Assim, a criança deve passar pela fase oral (obtendo prazer pela sucção do seio materno, da chupeta, do dedo, ou levando os objetos à boca), pela fase anal (quando aprende a controlar a atividade esfincteriana), e por outras, até chegar à puberdade. A auto-estimulação de zonas erógenas não se configura propriamente como uma masturbação - atividade característica da puberdade - e sim como um tipo de sexualidade especialmente infantil, diferente da adolescente e da adulta.
É fácil imaginar o escândalo provocado por essas idéias na sociedade vienense do início do século XX. Neste momento histórico, predominava uma concepção de infância associada a uma aura de pureza, inocência e ingenuidade. A criança deveria ser protegida dos ditos "segredos adultos", como aqueles relativos à violência e ao sexo. E se definia, justamente, pelo não conhecimento desses "segredos".
Em outras palavras, as crianças eram consideradas crianças uma vez que não sabiam de coisas que só os adultos sabiam, pela experiência ou pela leitura de livros escritos por outros adultos. Em oposição, os adultos, detentores deste saber proibido às crianças, seriam aqueles com a função de orientá-las e discipliná-las.
Mas não foi sempre assim.
Na Idade Média, os adultos tinham outras formas de se relacionar com as crianças. Sabe-se que o trabalho infantil (sobretudo a partir dos sete anos de idade) era encarado com naturalidade. Não havia preocupação em proteger a criança dos "segredos adultos": falava-se de sexo, e quiçá fazia-se sexo, na presença de crianças - como sugere Ticiano no quadro Bacanal de las Andrians (1518-1519), onde o pintor retrata uma criança, aparentando dois anos de idade, no meio de adultos nus se tocando com luxúria.
A arquitetura medieval, inclusive dos palácios e castelos aristocráticos, revela um ambiente onde não há lugar para a privacidade: os cômodos eram interligados entre si, e as famílias, compostas por muitos membros - avós, tios, primos, agregados...
Adultos e crianças medievais compartilhavam não só dos mesmos ambientes sociais, mas também de um mesmo ambiente informacional, de um mesmo não saber: eram ambos analfabetos, já que a leitura era um privilégio restrito ao clero. Escolas eram raras ou inexistentes. Numa cultura da oralidade, não havia espaço para uma divisão nítida entre infância e idade adulta. Os valores e costumes sociais eram apreendidos pelos pequenos diretamente, a partir do contato com os adultos, que não demonstravam grandes preocupações acerca da educação infantil.
A criação moderna da prensa tipográfica, associada à alfabetização socializada, veio mudar este quadro. Passou-se a imprimir e publicar diversos livros, contendo saberes que se colocavam à disposição de quem soubesse ler.
Desta forma, surgiu um parâmetro claro e objetivo para diferenciar adultos e crianças: os primeiros seriam aqueles que sabem ler e escrever; as últimas, aquelas que deveriam passar por um processo gradual e lento, até adquirirem este saber. A função da escola, neste momento, ganhou uma fundamental importância: à escolarização se atribuiu a tarefa de ensinar às crianças a via de acesso aos saberes que circulavam no mundo adulto (a alfabetização) e, simultaneamente, prepará-las para este mundo através da disciplinarização.
Essa revisão histórica da civilização ocidental nos obriga a concluir que as formas de se conceber a infância variam, de tempo em tempo, de sociedade a sociedade. Muito além do fator biológico, que aponta para características anatômicas e fisiológicas específicas às crianças, cada contexto cultural é capaz de criar uma maneira particular de concepção de criança, no sentido que as formas de se relacionar com ela, e o próprio papel dela na sociedade, resultam de uma complexa rede de valores e regras predominantes nesta sociedade.
Na modernidade, a ascensão sócio-econômica da burguesia trouxe valores diferentes dos medievais, e um novo modelo de organização familiar. Modelo este que costuma ser chamado de família burguesa ou família nuclear - restrito ao núcleo pai-mãe-filho(s). Nesta família, mãe e pai ganharam funções muito bem definidas. A ela, caberia o cuidado com a casa, o marido e os filhos (atuando no espaço privado do lar); a ele, caberia o sustento da família através do trabalho remunerado (atuando no espaço público). Aos dois, caberia a obrigação de amar e educar seus filhos, investindo neles uma perspectiva de futuro, de progresso, condizente à conjuntura histórica da época.
Este modelo familiar, hoje, parece estar em crise. É crescente o número de casais separados ou divorciados, madrastas e padrastos, ou mães e pais que criam seus filhos sem a ajuda de um cônjuge. A mulher, não mais confinada às atividades domésticas, conquista um espaço cada vez maior no mercado de trabalho - e, não raro, culpa-se por não dedicar aos filhos a atenção que julga dever dedicar.
Nas últimas décadas, as transformações tecnológicas têm engendrado mudanças sociais e psicológicas, configurando-se como um dos principais vetores de subjetivação da contemporaneidade. Os meios de comunicação ensinam às pessoas novas formas de agir e pensar. E as crianças, obviamente, não se excluem deste processo.
Há quem diga que a infância – revestida desta aura de pureza, inocência e ingenuidade - consiste numa invenção moderna, que está fadada a desaparecer. (Werneck, 2001.) Há ainda quem vá mais longe. Alguns pensadores localizam o surgimento e a crise deste conceito em dois marcos históricos específicos: em 1850 e 1950, respectivamente. (Steinberg & Kincheloe, 2001.) Em 1850, o trabalho infantil foi abolido das fábricas inglesas, no auge da Revolução Industrial - movimento crucial para a concretização dos interesses sociais burgueses. Quanto a 1950, é um ano que simboliza a criação e difusão de um aparato tecnológico que tem modificado a humanidade desde então: a televisão.
Na Idade Média, adultos e crianças dividiam o mesmo ambiente informacional - o da oralidade, para a qual todos estamos biologicamente aptos. Na Pós-Modernidade, a televisão é capaz de simular um ambiente informacional semelhante ao medieval. Melhor dizendo: para assistir à TV, basta ver e ouvir, habilidades a que adultos e crianças estão biologicamente aptos.
O processo de leitura, ao contrário, exige um esforço de aprendizagem que costuma durar anos, e está longe de ser instintivo. Antes de mais nada, deve-se desenvolver um autocontrole corporal que permita um exercício introspectivo de atenção e concentração. Deve-se memorizar as letras, seus respectivos sons, e depois compreender a estrutura das sílabas, das palavras, das frases... Mais tarde, deve-se entender o sentido geral de um parágrafo, de um texto, de um livro... E, enfim, aprender a ler criticamente – uma capacidade que, às vezes, não se adquire nem mesmo depois da adolescência. Portanto, a divisão das crianças por idade, nas séries escolares, atende às etapas deste processo.
Para assistir à televisão, é bastante diferente. Uma criança de dois anos – como aquela retratada por Ticiano em meio a um bacanal –pode apertar um simples botão e deparar-se com cenas de sexo explícito na telinha. Conseqüentemente, a televisão inviabiliza a proteção da criança (tão valorizada pelos modernos) do acesso aos "segredos adultos", que antes se desvendavam apenas nos livros, ou pela experiência. Para certos autores, a televisão impossibilita que exista a infância como a fase do não saber, da pureza, inocência e ingenuidade.
O escritor norte-americano Neil Postman (1999), por exemplo, afirma que a criação da infância só foi possível pelo advento da prensa tipográfica, e proclama o desaparecimento da infância devido ao advento da televisão.
Entretanto, convém nos questionarmos: estaríamos diante do fim da infância ou de novas formas de ser criança? Como adultos, tendemos a pensar na criança de acordo com critérios coerentes à criança que nós fomos um dia. Contudo, a velocidade das transformações sociais e psicológicas, impulsionadas pelas transformações tecnológicas que testemunhamos, faz com que ser criança hoje seja diferente de ser criança poucas décadas atrás.
De alguns anos para cá, a programação televisiva, pelo menos no Brasil, tem exibido com maior freqüência os tais "segredos adultos", em horários que teoricamente obedecem a uma censura imposta pelo Ministério da Justiça. Apenas teoricamente. Na prática, o sexo aparece na TV a qualquer hora do dia - ainda que implícito e sutil: nas dançarinas de biquíni que rebolam no cenário dos programas de auditório.
Crianças assistem a novelas e telejornais. Adultos assistem a programas infantis. Ao perceberem este fato, as emissoras televisivas passaram a veicular propagandas de produtos "para adultos" nos intervalos de programas infantis. Propagandas de cerveja com mulheres sensuais e seminuas. Chamadas de novelas, num trailler de cenas picantes. (Sampaio, 2000.)
Por outro lado, tem proliferado também, em diferentes horários, a quantidade de propagandas que falam diretamente à criança. Isso se explica por um fenômeno recente de incorporação da criança à sociedade de consumo: de filha do cliente, ela ascendeu ao status de cliente. (VEIGA, 2001.) E já pode desejar e consumir produtos como a sandalinha da Carla Perez, ou as roupas da grife lançada por ela, CP Girls, nos moldes da grife de Xuxa, O bicho comeu.
Na TV, a criança assiste ao Festival de Desenhos da Rede Globo. Na rua, depara-se com a foto da apresentadora, Deborah Secco, nua e numa pose sexy, no outdoor que anuncia a revista Playboy. (Aliás, Carla Perez e Xuxa também já posaram nuas para a foto de capa da mesma revista...)
Portanto, os universos simbólicos de adultos e crianças estão expostos, na televisão e em outras mídias, para ambos. E o controle do que é visto pelas crianças, que tradicionalmente caberia aos pais, é extremamente frágil: a TV, muitas vezes, transforma-se numa conveniente "babá eletrônica", que mantém os filhos quietos enquanto os pais trabalham ou se ocupam com os afazeres domésticos. Além disso, é grande o número de crianças que assistem a programas em horários não recomendáveis para sua faixa etária.
As conseqüências desta situação se evidenciam na própria mídia. No programa do Gugu, crianças imitam o grupo É o tchan, em coreografias insinuantes e dublagens de letras de música do tipo: "Tá de olho no biquinho do peitinho dela...". (Valladares, 1997.) Na vida, meninas escolhem para fantasias de carnaval o figurino sensual de Carla Perez, Tiazinha, ou outros símbolos sexuais televisivos.
Porém, estas não são as manifestações mais preocupantes da erotização infantil. Até aqui, constatamos apenas que estas crianças contrariam o ideal de infância concebido a partir da modernidade. Mais preocupante é saber que, atualmente, no Brasil, já é significativo o número de meninas que, mal ficam menstruadas, iniciam-se na vida sexual propriamente dita: no Censo de 2000, o IBGE inclui, pela primeira vez, a faixa etária de 10 a 14 anos nas suas estatísticas de maternidade.
Assim, torna-se claro que muitas crianças (considerando-se que, de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente, uma pessoa de até 12 anos ainda é uma criança) estão exercendo hoje uma sexualidade que, há um século, foi descrita por Freud como adulta. Em vez de se limitarem ao prazer perverso e polimorfo - seguido pela masturbação na puberdade para que, somente depois, venham a praticar o sexo com um parceiro - crianças transam com crianças, e dão à luz outras crianças.
Diante destes dados, cabe destacar dois pontos fundamentais no que se refere à Educação, seja ela escolar ou parental: 1) O hábito de se qualificarem as manifestações sexuais infantis como algo "terrível" e "cruel" – e a televisão como um "bicho papão" – não contribui, em si, à compreensão destas novas formas de ser criança. Pelo contrário: apenas afastam o educador de uma possibilidade de entender melhor esta questão e, por conseguinte, de lidar melhor com ela. E 2) a mobilização do educador, ou de qualquer pessoa preocupada com o processo de erotização da infância, deve resultar em ações voltadas antes para os resultados mais graves deste processo: a gravidez precoce, a disseminação de doenças sexualmente transmissíveis etc.
Se for considerado "impróprio para menores" um bate-papo aberto sobre sexo, nas escolas ou em casa, os pequenos dificilmente receberão a orientação adequada sobre como proceder ao iniciar sua vida sexual.
BIBLIOGRAFIA
ARIÈS, P. História social da criança e da família. Rio de Janeiro: LTC, 1981.
CASTRO, L. R. (org.) Infância e adolescência na cultura do consumo. Rio de Janeiro: Nau, 1998.
FREUD, S. Os três ensaios sobre a sexualidade. Obras psicológicas completas de Sigmund Freud: Edição Standard Brasileira. v. VII, Rio de Janeiro: Imago, 1989.
POSTMAN, N. O desaparecimento da infância. Rio de Janeiro: Graphia, 1999.
SAMPAIO, I. S. V. Televisão, publicidade e infância. São Paulo: Annablume, 2000.
STEINBERG, S. R., KINCHELOE, J. L. (org.) Cultura infantil: a construção corporativa da infância. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2001.
VALLADARES, R. O tchan infantil. Veja, 13 ago. 1997, p. 122-123.
VEIGA, A. Criança pensando como gente grande. Veja, 16 mai. 2001, p.70-72.
WERNECK, A. O fim da inocência. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 2 set. 2001, Caderno B, p. 1.
* Fernanda Passarelli Hamann
Jornalista e membro do Grupo Interdisciplinar de Pesquisa da Subjetividade (GIPS), coordenado pela professora Solange Jobim e Souza, no Departamento de Psicologia da PUC-RJ
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MASTURBAÇÃO
O que é a MASTURBAÇÃO?
Tenho 17 anos descobri que o meu namorado se masturbava, na hora fiquei meio confusa. E ele perguntou se eu já havia feito isso, falei que não. O que é realmente masturbação e o que leva uma pessoa a fazer?
Se masturbar significa proporcionar prazer ao corpo, em especial aos genitais, através do toque das mãos. A masturbação pode ser considerada uma das práticas sexuais mais comuns e esperada, em toda a sexualidade humana:
· na infância, em especial dos 3 aos 6 anos, ela é uma forma de descoberta das diferenças anatômicas entre meninos e meninas. É uma forma prazerosa de contato corporal, quer seja individual, quer seja entre duas crianças;
· na adolescência, além do apelo erótico biológico, ou seja, da necessidade orgânica (pela ação hormonal), garotos e garotas se masturbam para extravasar a tensão sexual, para o conhecimento do prazer corporal e de suas sensações;
· na idade adulta, a masturbação é uma, entre as possibilidades de práticas sexuais, quer individual, quer com parceiros(as), inclusive no casamento entre os casais. É uma forma de sexo seguro e, uma forma, também, de extravasamento das tensões sexuais da vida cotidiana;
· na terceira idade pode ser um reflexo da falta de sexo com parceiros, em especial para aquelas pessoas (homens e mulheres) que, erroneamente acreditam que a sexualidade acaba após a idade fértil (no caso da menopausa, para as mulheres; ou pela perda do vigor físico e juventude, no caso dos homens). Ou então, como uma possibilidade sexual entre os parceiros.
NÃO CAUSA MALES ao CRESCIMENTO!
Gostaria de saber se a masturbação pode prejudicar nas atividades diárias...e também se ela pode prejudicar alguma coisa na fase de crescimento.
Se masturbar, ou seja, estimular com as mãos e dedos os genitais a fim de proporcionar prazer e, até ao gozo, é um ato comum, esperado, previsto e bom, no desenvolvimento humano. Crianças se manipulam, adolescentes, adultos e pessoas na terceira idade. A masturbação é algo possível tanto para meninos como para meninas , para homens e mulheres.
Quando nos masturbamos, além de sentirmos sensação de prazer, aprendemos a conhecer nosso corpo, nossas sensações, as partes do corpo mais sensíveis.
Também conhecida como automanipulação, auto-estimulação ou auto-erotismo, a masturbação não faz mal a pessoa nem a sua saúde!!! As idéias que dizem que a masturbação causa males aos indivíduos (como esterilidade, impotência, crescimento de pêlos nas palmas das mãos, espinha no rosto e no corpo, ginecomastia - aumento dos seios nos rapazes, debilidade mental, verrugas, raquitismo, crescimento exagerado do pênis, diminuição do desejo sexual, ejaculação precoce), são todas mitos sexuais, ou seja, invenções de nossa cultura para reprimir essa prática prazerosa, uma vez que não leva à reprodução e causar, nas pessoas sentimento de culpa. Portanto, é esperado, é comum e é normal, que garotos e garotas toquem no próprio corpo e se proporcionem prazer.
QUANDO que se MASTURBAR PODE SER RUIM?
Por uma questão lógica, posso até pensar que quem se masturba de modo compulsivo, pode acabar deixando de fazer outras coisas na vida que, são igualmente importantes, como, passear, namorar, trabalhar, sair com os amigos, ver televisão, ler. Enfim, sob este ponto de vista a masturbação excessiva pode ser ruim.
Sob outro aspecto lógico, também poderíamos pensar que, ao se masturbar estamos liberando a tensão sexual acumulada. Da mesma forma que estamos, com isso, gastando o tesão que, para algumas pessoas poderia fazer falta na hora de transar com alguém, por exemplo. Quero dizer que, quando temos companheiro ou companheira para o sexo, é melhor evitar a masturbação quando sabemos, de antemão, por conhecer nossa característica física, que aquele tesão (liberado pela masturbação) fará falta. No entanto, nem todas as pessoas são assim; há homens e mulheres que apresentam um desejo sexual tão grande, ou que tem a facilidade de facilmente ficaram excitados que, o fato de se masturbar não fará a mínima diferença.
MASTURBAÇÃO e INFECÇÃO do HIV/AIDS
Sou uma garota de 19 anos e sou virgem. Estou saindo com um ótimo rapaz, de quem gosto muito. Rapidamente adquirimos enorme intimidade emocional e sexual. No entanto, por ele ser muito mais velho e experiente do que eu, já tendo mantido relações com pessoas muito diferentes, tenho receio de que ele possa ser portador de alguma DST. Tenho vergonha de fazer essa pergunta a ele diretamente, porque também há a possibilidade de ele não saber se possui ou não alguma doença. Não estou pronta para o sexo com penetração e ele entende isso perfeitamente, mas o que eu gostaria mesmo de saber é: no ato da masturbação, existe risco de contágio por líquido seminal infectado em contato com as mãos?
É possível sim, que uma pessoa se infecte com algum microorganismo, através da masturbação mútua, desde que os fluídos sexuais estejam contaminados e haja possibilidade de absorção através do tecido dos genitais, ou de cortes e fissuras na pele da mão e dedos.
Você não deve ficar com vergonha ou receios de conversar com seu parceiro. Todas as pessoas deviam, regularmente, fazer exames para que a prática sexual fosse mais tranqüila e segura. Ninguém precisa ficar envergonhado de ter contraído uma doença ... veja que até mesmo é possível contrairmos infecções, herpes e simples micoses em banheiros públicos.
POR QUE para as MULHERES a MASTURBAÇÃO é mais DIFÍCIL?
A masturbação, até pouco tempo, ela era considerada algo ruim e prejudicial. Hoje, pelo menos para os estudiosos da sexualidade humana, e para as pessoas mais esclarecidas e abertas, ela é uma prática:
§ previsível e esperada na infância, na adolescência, na fase adulta e na terceira idade;
§ é uma forma de meninos e meninas conhecerem o próprio corpo, é uma possibilidade de prática sexual, quer seja individual ou com parceiros;
§ é uma forma de sexo seguro.
Talvez as pessoas (homens e mulheres) que não conseguem sentir prazer com a manipulação dos genitais, sejam pessoas que aprenderam que se masturbar á algo ruim, feio, sujo, pecaminoso. É tudo uma questão de significados negativos, que podem ser revistos e modificados ... para isso que fazemos Educação Sexual.
Para as mulheres, as questões ligadas a sexualidade, sempre foram mais difíceis. Primeiro, porque sempre se difundiu a idéia do sexo associado a impureza e ao pecado. Também foi ensinado para nós, na história e na cultura, que somente a imagem da mulher virtuosa e pura, teria o reconhecimento e o respeito social. Ela deveria ser virgem, dona de casa e praticar o sexo só no casamento e para reprodução. Sob este ponto de vista a masturbação seria inconcebível para as mulheres. Além do fato de que sempre se difundiu uma idéia de que o "homem teria mais necessidade de sexo do que a mulher" (talvez, por isso, que a masturbação é mais comum e esperada entre os meninos). Com isso, o conhecimento do corpo feminino, também, sempre foi negado, escondido, oculto. Lembro que os genitais masculinos são visíveis, fáceis de serem manipulados; enquanto que os genitais femininos, estão escondidos - muitas mulheres adultas tem dificuldades em identificar onde fica o clitóris, a vagina e a uretra.
Penso que as garotas precisam aprender a conhecer seu corpo ... suas sensações, e o prazer decorrente do fato de se tocarem. É fundamental que saibam, através do toque corporal, o que gostam e o que não gostam, para poderem dividir com seus futuros parceiros num relacionamento mais pleno e satisfatório.
MULHERES SE MASTURBAM com OBJETOS?
Excito-me muito facilmente, basta ver um filme fico logo toda descontrolada. Masturbo-me com muita freqüência, chego mesmo a introduzir objetos na vagina. Será que isso não me fará mal mais tarde?
O princípio básico da masturbação é estimular os genitais e também partes do corpo (seios, braços, nádegas, ...) com as mãos e dedos. Algumas pessoas podem apertar, entre as pernas, almofadas ou travesseiros que farão o contato prazeroso com os genitais. Há garotas/mulheres que podem utilizar objetos para estimular os lábios vaginais, ou o clitóris ou, até mesmo o canal vaginal. Lembro da necessidade de cuidados relacionados com a higiene das mãos e desses objetos (que podem ser artigos eróticos, por exemplo). Lembro que ao introduzir objetos na vagina você deve ter o cuidado para não se machucar. Sugiro e recomendo que coloque a camisinha (preservativo) no objeto. Isso facilitará a penetração e auxiliará na higiene. Desta forma, não há como haver problemas mais tarde.
MASTURBAÇÃO e IDÉIAS RELIGIOSAS
Tenho 19 anos, já tive namorada mas nunca tive sexo com penetração, e não consigo fazer o que todos os rapazes fazem que é se masturbar. Sou de família evangélica e acho que isso sempre me influenciou por causa da proibição e pressão. Tenho quase certeza que não tenho problemas quanto a minha sexualidade, pois quando tenho sonhos eróticos acordo todo "melado", você me entende? Por enquanto é só, gostaria que me respondesse.
Seu corpo e sua mente estão respondendo aos seus desejos e estímulos eróticos. No sono, você se excita ... isso aumenta as taxas de hormônio e você ejacula. Isto é perfeitamente normal e sadio. Você está certo em se considerar “sem problemas quanto a sua sexualidade”.
Quanto a masturbação e a ensinamentos tradicionais, penso que os tempos atuais exigem uma nova postura de revisão e, quem sabe, de mudança de idéias e pontos de vista. Hoje em dia, praticamente todos/as os/as educadores/ras, médicas/os, sexólogos/as e estudiosas/os da sexualidade consideram a masturbação como uma pratica sexual normal e esperada na vida de crianças, jovens, adultos e idosos.
Penso que muitas religiões não possuem conhecimentos suficientes e atualizados para explicar o comportamento sexual humano, porque:
- não estudam a sexualidade cientificamente - apenas manifestam opiniões sobre o que acham que é o certo, correto e normal.
- procuram se manter fieis aos seus dogmas - portanto, não mudam e sequer consideram que as sociedades e as pessoas estão em constante processo de mudança e re-significação de suas práticas sexuais;
- procuram ser fiéis as noções restritas de família, casamento e reprodução - afinal, toda estrutura religiosa se mantém viva dentro da idéia de “família”. Não é à toa que, entre os sacramentos religiosos estão o batismo, a crisma, o casamento. Na história religiosa a masturbação sempre foi ensinada como algo ruim, pois não levava a reprodução e também, não havia o interesse de que as pessoas se proporcionem prazer individualmente, fora do casamento. Somos ensinados, historicamente, a praticar o sexo no casamento.
MASTURBO-ME mas não gozo
Por que não consigo gozar na masturbação já que fico ereto, tenho prazer e sinto a dorzinha?
Talvez você não esteja conseguindo um nível de erotização mental (de fantasias), suficientemente fortes para lhe provocar o gozo.
Talvez você precise aperfeiçoar o toque sobre seu pênis, procurando sensibiliza-lo mais - lubrificá-lo um pouco, pode ajudar, você pode utilizar a própria saliva ou qualquer creme hidratante a base de água.
Talvez você ainda não esteja produzindo hormônios sexuais (testosterona) suficientes, para o estímulo químico-biológico, que determina o gozo. Afinal, seus 12 anos mostram que você está iniciando a puberdade!! Nada de angústias - ainda há muito que aprender e, certamente, muita transformação acontecerá com você e com seu corpo.
Que tal aproveitar a experimentação, num dia desses qualquer, praticando um “cinco contra um” usando uma camisinha? SEXO SEGURO se aprende antes da prática com parceiros. PENSE NISSO!!!
MASTURBAÇÃO com o DEDO tira a VIRGINDADE?
Sou garota e tenho 13 anos. Queria saber se masturbando-se com o dedo, pode-se perder a virgindade.
Se você considerar que a perda da virgindade está relacionada com o fato de romper o hímen e, se você introduzir o dedo no canal vaginal, ou um objeto cilíndrico, durante a masturbação, dependendo do movimento e da grossura (do dedo e do objeto), seu hímen pode ser rompido.
O DEDO pode levar ao SANGRAMENTO do HÍMEM?
Sou mulher e tenho 29 anos. Gostaria de saber se quando uma mulher introduz o dedo na vagina, sempre vai ocorrer sangramento? Estava me tocando e de repente senti um pouco de dor e saiu um pouco de sangue...
Uma garota pode sim, romper seu hímen, com a introdução do dedo ou de objetos, na vagina. O sangramento vai depender de cada garota e da situação. Lembre que mesmo transando com um homem, onde há a penetração do pênis, nem sempre as mulheres sangram na primeira transa. Da mesma forma que, nem sempre o hímen se rompe na primeira penetração. Há casos de hímens cujo tecido é tão resistente, que só haverá rompimento do tecido quando a mulher submete-se a um parto normal.
Portanto lembre, que há diferentes tipos de hímens e há também diferentes mulheres. Até o fato de estar bem excitada (e molhada) pode facilitar a penetração e evitar o corte do hímen, ou então, se o hímen se romper, o sangue pode se diluir no líquido vaginal, não sendo percebido e, dando a impressão de que a mulher não sangrou.
MASTURBAÇÃO e DOR no ROMPIMENTO do HÍMEN
Sou do sexo masculino e tenho 17 anos. Estou namorando ... minha namorada se diz virgem (ela tem 14 anos). Eu não acredito que uma garota que seja virgem, não sinta dor ou até mesmo incômodo com o ato da masturbação ao se inserir cerca de 9 cm do meu dedo em sua vagina. Pelo fato dela ser virgem isso causaria dor devido ao hímen, certo? Ou não?
É possível, sim, que uma garota introduza o dedo na vagina, sem que haja o rompimento do hímen e sem que ela sinta dor. Há muitos aspectos para que a garota esteja mais tranqüila e segura com a masturbação:
1. não esqueça que o dedo não é tão grosso quanto um pênis ereto;
2. não há risco dela engravidar,
3. como a transa não é com o pênis, não há a “perda” da virgindade – que para muitos só ocorre quando ocorre o ato sexual com penetração vaginal pelo pênis.
Com isso tudo, a garota fica mais relaxada. Não há tensão muscular e por isso não há dor. Pode ser até que, com o dedo, o hímen seja rompido. Mas se ela estive bem lubrificada e tranqüila, além dela não sentir dor, o sangue pode ser mínimo e se diluir nos fluídos sexuais, passando desapercebido.
MASTURBAÇÃO
Tenho 15 anos, e não posso ficar sem tocar uma bronha (punheta)! Às vezes acordo de manhã todo melado (acho que gozo no sonho). Até na aula eu fico de pau duro, e no intervalo vou ao banheiro para bater uma bronha e ejacular. Será que sou tarado? Sinto que se demorar pra tocar uma, começa doer o meu saco.
Vc é um rapaz perfeitamente normal. Seus 15 anos mostram que vc está em plena vitalidade física, com grande capacidade de erotização, tesão e energia sexual para ser extravasada na masturbação.
O que acontece com vc durante a noite se chama polução noturna (polução = ejaculação). Vc se excita, com sonhos que podem relembrar situações eróticas vividas durante o dia, e goza. Mesmo que vc não lembre do sonho pela manhã, vc ejacula. Isso é esperado que ocorra com todos os garotos quando entram na puberdade. É um fenômeno universal e, anormal seria se não estivesse acontecendo.
Quando estamos com muito tesão, homens e mulheres, há uma contração da musculatura pélvica e dos genitais. É por isso que seu saco dói. O mesmo ocorre com as mulheres - quando estão com muito tesão é possível sentir dor no canal vaginal e clitóris.
A MASTURBAÇÃO pode AFASTAR as PESSOAS?
Sou uma garota ... tenho 37 anos e prefiro me relacionar com mulheres. Sempre considerei a masturbação como algo feio e proibido. Mas mesmo assim tinha prazer, só que achava que não devia, que sexo devia ser praticado com outra pessoa. Atualmente estou sozinha, fazendo sexo via internet, o que considero uma masturbação. Minha dúvida é se com a masturbação posso passar a me esconder das pessoas e me acomodar, pois me passa o temor de não ficar com mais ninguém.
Certamente todas as pessoas, se pudessem, estariam vivendo um relacionamento afetivo e amoroso, com alguém. Isso não depende só de nós e, muitas vezes, passamos por fases da vida em que nos encontramos sozinhas. Nem por isso perdemos nossa sexualidade ... nem por isso, nossos desejos e vontades sexuais ficam adormecidos.
Quero dizer que sentir desejo sexual é próprio da natureza humana, até porque temos um corpo que responde a estímulos hormonais ... responde a estímulos visuais, sonoros ... responde a estímulos de nossa imaginação... é por essa razão (por ser a sexualidade uma natural e espontânea dimensão humana) que o toque manual no próprio corpo constitui-se num ato praticamente esperado, normal, universal e natural, tanto para homens como para mulheres.
A masturbação não deve ser vista como algo ruim. Ela é uma possibilidade de prática sexual que pode ser feita, inclusive, junto com parceiras/os.
Penso que se você se acomodar e evitar se relacionar com outra pessoa, o problema não estará na masturbação. Mas sim, na dificuldade que você demonstra ter, em encarar um relacionamento real, com uma pessoa. Você deve procurar compreender os problemas que a levam preferir ficar em casa, distante do contato pessoal. Procure sair ... encontrar pessoas ... conhecer gente nova e fazer novas amizades. Não se imponha a obrigação de arrumar um "caso". A angústia é pior e acaba atrapalhando tudo. Dê tempo ao tempo e, enquanto isso, se você sentir necessidade, "mãos a obra" ... sem culpa.
MASTURBAÇÃO após os 50 ANOS
Até que ponto, para um homem com mais de 50, a masturbação pode prejudicar? Ela é inconveniente para certas idades?
A terceira idade é a etapa da vida humana que se inicia após os 60 - 65 anos. Nesta idade, a masturbação pode ser um reflexo da falta de sexo com parceiros, em especial para aquelas pessoas (homens e mulheres) que, erroneamente acreditam que a sexualidade acaba após a idade fértil (no caso da menopausa, para as mulheres, ou pela perda do vigor físico e juventude, no caso dos homens). Neste contexto, o que acaba fazendo mal, é a sensação de solidão, falta de companheirismo e os significados negativos sobre a sexualidade, nesta idade, aprendidos durante a vida. Em si, a masturbação não faz mal. Talvez, sob o ponto de vista biológico, poderíamos até considerar, em alguns casos, condições físicas da pessoa, quanto as questões de ordem cardíaca e de capacidade respiratória, pois, afinal, na masturbação o orgasmo também significa um esforço físico orgânico.
Penso que as pessoas podem praticar sexo (independente da prática) até o fim de suas vidas e quando tiverem vontade – veja que no casamento, quando um dos membros do casal não está interessado em sexo, por que não o outro se masturbar? Muitos convivem muito bem com essa possibilidade, negociando, sem cobranças, os interesses individuais e de ambos.
A “inconveniência” não existe naturalmente. Nós é que a criamos.
MASTURBAÇÃO após o ATO SEXUAL e no CASAMENTO
Sou homem casado, 43 anos de idade, tenho 01 filho com 17 anos. Desde a idade de 10 anos que me masturbo diariamente. Mesmo após o casamento, tendo relações sexuais normais com minha esposa e após gozar tinha muito + prazer tocando punheta e sempre foi assim, entende? Gostaria de saber quais as seqüelas e ou males que a masturbação masculina pode ocasionar com o tempo, tanto para o organismo como, e principalmente, para a mente masculina?
Os males que a masturbação podem causar não estão nela, como uma prática sexual, mas sim, nos significados negativos que você pode dar a ela. Quero dizer que sob o ponto de vista orgânico, homens e mulheres podem se masturbar, desde que, é claro, procurem evitar usar objetos que possam machucar o corpo ou os genitais.
Geralmente, as pessoas que se impõem idéias ruins, acabam sentindo culpa ou remorso, o que leva a problemas de ordem emocional, uma vez que a masturbação em si, não causa disfunções orgânicas.
O único aspecto que poderia discutir é o fato das pessoas, a medida em que vão "envelhecendo", terem naturalmente mais dificuldade com o tesão e com a prática sexual com parceiros. Falo em função da esperada diminuição da libido, ao longo dos anos. Nestes casos, se masturbar poderia "gastar" o tesão ou diminuir o interesse sexual por parceiros. Neste exemplo, cada pessoa deve observar o que acontece e decidir como agir.
Para você, se masturbar após o ato sexual com sua mulher, pode significar que você consegue melhor tocar em seu pênis do que a penetração o faz. Assim, no tato, você sensibiliza mais o pênis, sentindo mais prazer. Esta situação também pode ser altamente excitante para você e, não vejo qualquer problema nisso.
MASTURBAÇÃO MÚTUA pode levar a GRAVIDEZ?
Tenho 18 anos e minha namorada 16, e optamos por ainda não transar. Mas quando podemos, eu a masturbo e ela me masturba. Dessa forma já ejaculei três vezes e queria saber se existe a possibilidade de ela engravidar, quando sujo minha mão de esperma e lavo meu pênis, e depois volto a masturbá-la. Será que mesmo passando sabonete na mão, para depois masturbá-la, existe o perigo da gravidez? O que posso fazer?
Para a garota engravidar seria necessário que, ela estivesse ovulando, ou seja, o ovário deve estar liberando um óvulo e, a quantidade de sêmen fosse o suficiente para a fertilização. No entanto, se você lava a mão, certamente, não há esperma para o contato. Além do mais, a pouca quantidade de sptz que, supostamente tivesse ali, teria que conseguir atravessar o canal vaginal, passar pelo útero e chegar no óvulo (nas trompas de falópio), sem a força de propulsão de uma ejaculação (o que tornaria o trajeto mais longo e difícil). Também, os gametas masculinos, teriam que sobreviver a acidez do canal vaginal.
Enfim, as chances de engravidar são muito pequenas, seria quase impossível. No entanto, sabe-se que há casos de garotas que engravidam quando a transa “ocorre nas coxas”, ou seja, o rapaz ejacula fora e, a pouca quantidade de sêmen em contato com a vagina, é capaz de proporcionar uma gravidez.
O ideal é evitar o contato do sêmen e praticar o sexo seguro. Por que vocês não experimentam a masturbação com camisinha?
servido por soany
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